sábado, 11 de abril de 2009

PESSACH A festa da Páscoa Judaica...

"A cada geração cada ser humano deve se ver como se ele pessoalmente tivesse saído do Egito. Pois está escrito: "Você deverá contar aos seus filhos, neste dia, "D'us¹ fez estes milagres para mim, quando eu saí do Egito..." (da Hagadá)





Pessach, (pronuncia-se pêssar) vem de passach - saltar, pular, lembrando a passagem de D’us sobre as casas dos judeus no Egito, poupando-os das pragas que lançou sobre os egípcios. Para os judeus é a festa mais importante, em que se comemora a liberdade e a identidade judaica, permitindo a sobrevivência desse povo por longos séculos através dos ritos.
Os judeus, vêem na Páscoa a definitiva Aliança. Aliança que sustenta a fé absoluta no poder do Senhor e garante aos homens sua proteção frente à vida e seus problemas, sustenta na confiança, sua persistência e, conforme as circunstâncias, seu desassombro ou estoicismo ante as provações. A Páscoa judaica é portanto a festa da vida, da proteção do Senhor ao seu povo na sua caminhada.

A Pessach também carrega um significado agrícola, já que marca o início do período de colheita na Terra de Israel. O antigo povo de pastores e agricultores comemorava, nessa época, a chegada do momento mais festivo da natureza, que era o início da colheita de cevada e a entrega do ômer - parte da cevada era ofertada a D'us no segundo dia de Pessach. Era um momento de alegria para este povo que vivia em íntimo contato com a terra, de onde extraíam a subsistência.
A festa de Pessach tem início com uma cerimônia no entardecer do 14º dia (primeiro dia de lua cheia da primavera) do mês de Nisan (primeiro mês do calendário judaico) e prolonga-se por 7 dias em Israel e por 8 dias em outros lugares do mundo. O primeiro dia representa a saída do Egito e o sétimo a passagem pelo mar vermelho, onde os judeus atravessaram em terra firme e seca. Os dias intermediários são chamados de Chol Homoed. Pessach sempre ocorre na Primavera de Israel, época de renovação da natureza. Quando Pessach cai num Sábado chama-se Shabbat Hagadol (o grande Shabbat), porque os judeus saíram do Egito também num Sábado.

O pão ázimo (Matzá)

Nestes oito dias, é proibido comer qualquer alimento que contenha como ingredientes grãos de trigo, centeio, cevada, aveia ou espelta, passíveis de fermentação quando em contato com a água. Em outras palavras, qualquer tipo de pão, biscoito, bolo, massa, cerveja, whisky, vodka, licores, etc, estão proibidos, mesmo em pequenas quantidades. Isto acontece para lembrarem-se de quando um povo inteiro, conduzido pela vontade de D'us encarnada em Moisés, saiu tão apressadamente do Egito que a massa preparada para o fabrico do pão não teve tempo de fermentar.

A única exceção a esta regra é a Matzá (pão ázimo), alimento básico durante Pessach. Trata-se de uma espécie de bolacha não-fermentada, preparada à base de água e farinha de trigo. O processo de fabricação é cuidadosamente controlado e o tempo total de preparo não pode exceder 18 minutos, a fim de garantir que não tenha indício de fermentação. As perfurações feitas na Matzá antes de ser colocada no forno impedem a formação de bolhas de ar e o crescimento da massa. Depois de assada, esta não corre mais o perigo da fermentação, podendo, portanto, ser consumida sob qualquer forma. Atualmente é mais comum encontrar Matzá industrializada, sendo costume de alguns comer Matzá feita à mão.

A Pessach é uma festa tipicamente familiar. No dia anterior à celebração faz-se uma profunda limpeza da casa, principalmente na cozinha, procurando não deixar nenhum alimento fermentado (chametz). Muitas famílias utilizam panelas, pratos e talheres que jamais estiveram contato com alimentos chametz, caso contrário é necessário fazer uma purificação destes utensílios, escaldando-os.

Depois, há o ritual simbólico de procura de fermento, chamado Bedikat chametz. Depois que a casa está completamente limpa e todos os alimentos fermentados foram eliminados, os pais espalham algumas migalhas de pão pelo ambiente e as crianças procuram o chametz com a ajuda de uma vela. Então, utilizando uma pena e uma colher de pau, as migalhas são coletadas e, na manhã seguinte, queimadas fora de casa para ensinar às novas gerações que só é permitido comer pães ázimos, seguindo a prescrição do livro do Êxodo. Daí em diante, por 9 dias, contando a véspera, não entrarão nas casas judias massas fermentadas.
A cabala ensina que o fermento representa as imperfeições morais e as tendências negativas dos homens que devem fazer um exame de consciência dos seus atos, do seu comportamento, para se libertarem das más qualidades. Da mesma forma que a massa fermentada enche-se de ar e cresce, assim também é o homem que se enche de vaidade e vazios.
Moisés liberta os hebreus do cativeiro no Egito
O povo hebreu foi libertado da escravidão egípcia por Moisés. A história de Moisés, o profeta, e de como ele teria conduzido o povo judeu da escravidão à liberdade é contada numa passagem bíblica cujo sentido é lembrado no Pessach pelos judeus em todo o mundo.O Antigo Testamento relata que um faraó egípcio, depois de transformar em escravos os hebreus que lá viviam, baixou um decreto: todos os judeus deveriam ser mortos ao nascer. A mãe de Moisés, para salvá-lo, colocou o recém-nascido num cesto, deixando-o a vagar nas águas do rio Nilo. O bebê foi encontrado e criado pela filha do faraó, vivendo então como um príncipe. Já adulto, ao ver um guarda egípcio açoitando um escravo hebreu, matou o guarda e fugiu para o deserto. Lá, num longo período de meditação, recebeu de Deus a missão de tirar os hebreus do Egito e conduzi-los para a Terra Prometida. Como o faraó não aceitava as ordens divinas levadas ao rei por Moisés, Deus castigou o faraó enviando dez pragas terríveis para o Egito. A cada desgraça, Moisés procurava o faraó pedindo-lhe que obedecesse a Deus, mas o rei se recusava a libertar os hebreus. O povo de Israel (os hebreus) estava a salvo dessas desgraças. O último castigo enviado por Deus foi a morte de todos os primogênitos no Egito por um anjo que viria exterminá-los. Mas Moisés ordenou que os judeus marcassem as portas de suas casas com um sinal feito com sangue de um cordeiro. Assim, o anjo da Morte não passou pelas casas identificadas com o sinal, poupando os primogênitos judeus. É daí que vem o nome Pessach, que significa passagem, passar por cima de alguma coisa, no sentido de omitir, ou seja, a Morte não passou pelas casas dos judeus e seus primogênitos foram salvos. Ao ver o próprio filho morrer, o faraó resolveu obedecer ao Deus de Moisés, deixando os hebreus irem embora do Egito. Mas depois, traindo sua palavra, mandou o exército atrás do povo que abandonava o cativeiro. Então, por meio de Moisés, Deus fez com que as águas do mar Vermelho se abrissem para dar passagem aos hebreus e se fechassem sobre o exército do faraó. Dessa forma, o povo judeu pôde seguir seu caminho para Canaã, a Terra Prometida.
Por isto, é costume os primogênitos judeus jejuarem no dia 14 de Nissan, véspera de Pessach, como recordação do perigo que estiveram expostos os primogênitos judeus no Egito.
O Seder de Pessach

Naquele dia contarás a teu filho, dizendo: É isto pelo que o Senhor me fez, quando saí do Egito (Êxodo 13:8).



A Festa de Pessach tem como ponto central, a realização do Seder - ordem em hebraico - ceia ritual festiva da primeira noite da Pessach (na Diáspora² a primeira e a segunda), que recebe este nome por ser composta de quinze etapas, as quais devem ser cumpridas seguindo-se uma ordem pré-estabelecida pela lei e tradição judaicas. Religião e gastronomia unem-se, tornando o cultivo da História mais vibrante, mais dinâmico.

Desde tempos imemoriais o Seder, ocupa um lugar de destaque na liturgia e na vivência do lar judaico. Cheio de símbolos e metáforas do passado, presente e futuro,
reúne a família judaica em todos os cantos do mundo em torno de uma vivência comum. Esta noite está composta por preceitos que têm sua origem na Torá, normas que vêm dos ditames rabínicos e por um sem número de costumes e tradições que têm por finalidade recordar cenas do passado.

No Seder todos - velhos, adultos e crianças - têm sua função. É o momento de reviver o passado e recriar a experiência dos antepassados na noite em que partiram do Egito. Tudo gira em torno da tradição que passa de pai para filho, dando, assim, continuidade a esse elo inquebrantável. Durante toda a cerimônia da noite do Seder, é lida a Hagadá (livro que narra a história da libertação do povo hebreu,do Egito). Cada participante deve ter um exemplar, para que possa envolver-se ativamente em todos os passos da celebração. Por esta leitura procura-se ensinar às futuras gerações por que aquela noite não é como as outras.

Inicia-se o Seder com orações e um gole de vinho. A criança mais nova da família começa o ritual com quatro perguntas em forma de canto sobre o sentido das cerimônias e a saída dos judeus do Egito. Passa-se então às leituras da Hagadá. No Pessach são as crianças que conduzem a festa. Cabe a elas abrir a porta para a visita de Elias que, segundo a tradição, visita todos os lares nesta noite para trazer suas bênçãos. As crianças demonstram, abrindo as portas, a segurança de estarem sob a proteção de Deus. São elas também que participam da busca do afikoman, um pedaço de Matzá que os mais velhos escondem pela casa.

No início da ceia, o responsável pela celebração do Seder (geralmente o pai ou o avô da família), sentado numa poltrona confortável, com uma almofada como encosto, para poder se reclinar, tem diante de si, sobre a mesa,a Keará - "prato" com os símbolos de Pessach:
Zroa: no ângulo superior direito, osso com carne assada, como lembrança do cordeiro pascal que era sacrificado em Pessach na época do Templo.
Beitzá: no ângulo superior esquerdo, um ovo, lembrança dos sacrifícios da festa.
Maror: no centro, raiz forte, recordando a amargura que sofreu o povo judeu durante a escravidão no Egito . Alguns judeus também usam, como maror, batatas cozidas.
Charósset: no ângulo inferior direito, uma mistura de maçãs e nozes picadas e amassadas com vinho tinto kasher , simbolizando a massa dos blocos utilizados no trabalho dos nossos antepassados no Egito.
Karpás: no ângulo inferior esquerdo, salsão ou outro tipo de verdura que se molham em água salgada - símbolo das lágrimas dos escravos no Egito e as águas do mar que abriram passagem ao povo judeu.
Chazéret: entre estes dois últimos, rabanete ou alface amarga, que será utilizada como uma segunda porção de Maror.

O vinho é outro elemento indispensável na celebração do Seder e é um símbolo de júbilo. É costume mergulhar um dedo na taça de vinho quando se pronuncia o nome de cada uma das Dez Pragas, retirando-o em seguida e despejando fora uma gota de cada vez. A quantidade deve ser suficiente para que cada um possa ter sua taça cheia quatro vezes durante a cerimônia. Além de ser um sinal de júbilo, como em toda comemoração judaica, este número representa as quatro formas pelas quais Deus prometeu a libertação ao povo (Êxodo 6:6-7): "Eu vos libertarei do jugo dos egípcios e vos livrarei da servidão. Eu vos redimirei com o braço estendido (...) e vos tomarei por meu povo".Complementam a mesa do Seder de Pessach:
- três pães ázimos (Matzot) são dispostos à mesa, um sobre o outro, em um recipiente especial com três divisões, ou cada um envolto em um guardanapo. Cada pão representa um dos três grupos judeus: Israel, Levi, Kohen. Um dos pães é partido ao meio e suas metades são reservados para o afikoman, sobremesa servida ao fim do Seder. Sobre os outros dois é recitada a benção do pão.
- uma taça de vinho, geralmente de ouro ou prata, especialmente reservada para Eliahu Hanavi, o profeta Elías. Acredita-se que ele chega simbolicamente a cada lar judeu para participar por uns instantes junto com os presentes da noite do Seder.
- taças de vinho para todos, nas quais se beberá, sucessivamente quatro vezes durante a noite. Essas quatro taças de vinho celebram a libertação dos judeus da escravidão do Egito.
A cerimônia só termina quando todos comem um pedaço do afikoman. Às vezes, é feita uma brincadeira, e aquele que conduz as celebrações esconde o afikoman embrulhado num guardanapo para que as crianças descubram o esconderijo. Aquelas que conseguem encontrar o tesouro ganham prêmios. Em algumas famílias, são as crianças que escondem o afikoman, e o líder tem de resgatá-lo em troca de um presente.
Depois, vem a bênção de ação de graças e é tomada mais uma taça de vinho, que é dedicada ao profeta Elias.
Ao final da celebração do Seder, é apresentada uma série de canções e melodias judaicas tradicionais, das quais, a última, é denominada "No ano que vem em Jerusalém", significando um voto de esperança que expressa o que está no coração de todo judeu: que se restabeleça o Reino de Deus e que Jerusalém seja o símbolo, mesmo incompleto, da vida nos tempos messiânicos.
Na primeira noite do Seder, há sempre alguns convidados. É dever convidar aqueles que estão tristes, sós, sem família, para que possam celebrar juntos a Festa da Liberdade.
Um outro costume da Pessach é a coleta de dinheiro para comprar matzot., vinho e outros alimentos para os pobres.

Quatro nomes de uma mesma FestaPessach é conhecido por quatro nomes:
Chag ha'Pessach - a Festa do Cordeiro Pascal, em alusão ao sacrifício feito pelos cativos no Egito antes da última praga. Tal oferenda foi instituída nas gerações posteriores, sendo abolida juntamente com os demais quando da destruição do Segundo Templo.
Chag Hamatzót - a Festa dos Pães Ázimos. "Comereis pão sem fermento durante sete dias..." (Êxodo 12:15). Revivemos a pressa em fugir do Egito, não dando tempo à massa fermentar. Durante os dias da Festa, alimentamo-nos com pães assados unicamente de água e trigo.
Chag ha'Aviv - a Festa da Primavera. A vida começa a brotar no hemisfério Norte nesta época. Com ela, renovam-se nossas esperanças de uma vida melhor a todos. Pessach, segundo a Torá, deve ser celebrado justamente neste tempo tão propício à reflexão, tanto que, em função da disparidade entre os calendários lunar (judaico) e solar - o primeiro tem alguns dias a menos, o que acarretaria, com o passar dos anos, em um distanciamento de Pessach da Primavera - a cada dois ou três anos, um mês é adicionado.
Zeman Cherutênu - época de nossa libertação. Nós, seres humanos, como um todo.
1- D'us ou D-us é uma das formas utilizadas pelos judeus de língua portuguesa para se referirem ao criador do mundo sem citar seu nome completo em respeito ao terceiro mandamento recebido por Moisés (Não tomarás em vão o nome de YHWH). Em outros idiomas, eliminam-se também uma ou mais letras da palavra correspondente, como no hebraico transliterado El'him ou no inglês G-d / G'd.


2- Diáspora é o nome dado ao processo de dispersão dos judeus pelo mundo no decorrer dos séculos, e a conseqüente formação de comunidades judaicas fora da Palestina. Por extensão de sentido, diáspora também se aplica à dispersão de qualquer povo em conseqüência de preconceito ou perseguição política, religiosa ou étnica.

O Calendário Judaico
O calendário judaico, diferentemente do gregoriano (cristão) que é solar, está baseado no movimento lunar, quando cada mês (com 29 ou 30 dias) se inicia com a lua nova. Se comparado com o calendário gregoriano, temos em um ano solar 12,4 meses lunares, ocorrendo uma diferença a cada ano de aproximadamente 11 dias. Para compensar essa diferença, a cada ciclo de 19 anos acrescenta-se um mês inteiro (Adar II), o ano de 13 meses ou embolísmico. Essa alteração é necessária por causa da Páscoa. A Páscoa judaica deve cair sempre na primavera.
Virgínia Brandão(Fonte: CORREIO GOURMAND)
Fonte: Federação Israelita de Minas Gerais
Ática EducacionalAssociação da Juventude Israelita Hehaver
Jewish Zionist Education
NetJudaica
Revista Morashá



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